Seminário organizado pelo COB defende a aplicação da psicologia no esporte

09/10/2010 18:11

Estimular cada vez mais a utilização das Ciências do Esporte na preparação dos atletas brasileiros, inclusive com a utilização da psicologia na preparação dos atletas. Este é o principal objetivo do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) com a realização do Seminário Internacional de Psicologia do Esporte, cuja abertura ocorreu nesta sexta-feira, dia 8, na sede do COB, no Rio de Janeiro. O evento pretende fomentar na comunidade esportiva a necessidade de se compreender e lidar com fatores psíquicos que interferem nas ações dos atletas, otimizando a preparação das delegações brasileiras. "Ao longo da minha vida como atleta e dirigente tenho observado que muitos atletas, nas mais diversas modalidades, não conseguem realizar sua performance da maneira com que foi preparado e treinado. Nem sempre o atleta melhor preparado tecnicamente é o vencedor. Hoje, a preparação de um atleta de alto rendimento exige o amparo de uma equipe multidisciplinar, e a psicologia do esporte é uma dessas ferramentas. É importante disseminar esses valores de forma a buscar a evolução dos resultados esportivos", explicou o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman.

Voltado para as Confederações Brasileiras Esportivas, Federações, clubes do Confao, associação de atletas, Forças Armadas, Governos, o Seminário tem a participação da Sociedade Brasileira de Psicologia do Esporte. O evento conta também com a presença do grego Makis Chamalidis, um dos maiores especialistas do mundo em psicologia do esporte; além da brasileira Sâmia Hallage, integrante da equipe de suporte da Seleção Brasileira feminina de vôlei campeã olímpica nos Jogos Olímpicos de Pequim-08. Também participam o técnico da mesma equipe, José Roberto Guimarães, as ex-atletas de vôlei de praia Adriana Behar e Shelda e a medalhista olímpica de taekwondo Natália Falavigna, entre outros. 

Para o superintendente executivo de esportes do COB, Marcus Vinícius Freire, o caminho do desenvolvimento e profissionalização do esporte brasileiro passa pela utilização das Ciências do Esporte na preparação das equipes e atletas. "O COB estipulou uma meta agressiva de medalhas para os Jogos Olímpicos Rio 2016, que é ficar entre os dez primeiros do ranking pelo número total de medalhas. Por isso temos que dar todo apoio possível à preparação de nossos atletas. Sendo assim, o COB está intensificando o processo que já vinha sendo feito, que é o de fortalecer as equipes multidisciplinares que trabalham para o esporte de alto rendimento no Brasil", afirmou Marcus Vinícius. "As palestras que foram realizadas até agora evidenciam que, para alguém ser um atleta de alto nível, hoje é necessário o suporte de todas as áreas de ciências do esporte, onde está incluída a psicologia", completou o superintendente executivo.

A palestra de abertura do evento foi da Ph.D Sâmia Hallage, que trabalha com seleções femininas de vôlei do Brasil desde 1996. Sâmia participou da campanha que rendeu o ouro olímpico à equipe em Pequim-08. Ainda pela manhã desta sexta-feira, as ex-atletas de vôlei de praia Adriana Behar e Shelda Bede falaram sobre a realidade da preparação psicológica quando ainda formaram a dupla medalhista olímpica. O destaque das palestras da tarde é do grego Makis Chamalidis, autor do livro Cabeça de Campeão (selo COB/Cultural) e um dos maiores especialistas do mundo no assunto. 

Dentre os caminhos apontados para a maior aplicação da psicologia na preparação dos atletas brasileiros, as palestras indicaram algumas premissas básicas. A principal delas é a de que o profissional de psicologia do esporte deve realizar um trabalho a longo prazo, inserido no contexto geral e multidisciplinar desenvolvido pela comissão técnica da modalidade. "A preparação psicológica, para ser relevante, tem que fazer parte da preparação do atleta desde o início. O psicólogo tem que entender e se envolver com a modalidade que ele está lidando", disse Sâmia Hallage, salientando ainda a base científica da atuação do psicólogo esportivo. "O psicólogo age apoiado em uma base sólida de pesquisa e estudo", afirmou a Ph.D.

A disputa de uma competição importante em seu próprio país, como será o caso dos Jogos Olímpicos Rio 2016 para os brasileiros, levantou debates interessantes durante o Seminário. Para o grego Makis Chamalidis, esta condição pode ajudar aos atletas da casa, desde que eles estejam preparados adequadamente para o desafio. "A disputa dos Jogos Olímpicos em seu país traz outras demandas além da performance esportiva. O atleta é muito mais solicitado pela imprensa e pela própria torcida, por exemplo. Neste caso, a psicologia vai dar o suporte para que o atleta esteja totalmente focado na competição, buscando não se envolver com o que está ao redor da disputa", disse Chamalidis, ajudando a desmistificar o papel da psicologia no esporte. "A psicologia pode ajudar em muito ao atleta, principalmente nas questões mais simples, como manter o foco, controlar a ansiedade, ensinar a respirar em momentos de tensão", afirmando o especialista. 

Em sua palestra, Makis Chamalidis explicou os conceitos desenvolvidos em seu livro Cabeça de Campeão. "Ter a cabeça de um campeão é saber desenvolver um estado de espírito onde se busca a alta performance com uma grande regularidade. O atleta tem que buscar grandes conquistas sabendo que elas só chegarão se ele trabalhar seus objetivos passo a passo", disse Chamalidis, levantando também os perigos do favoritismo dentro do esporte. "O favoritismo joga novas questões na cabeça de um atleta. Por isso, quando entra em uma nova competição, este atleta deve esquecer o que está a seu redor e confirmar o seu potencial, que gerou o favoritismo, tendo o foco claro de sua atenção para o momento da disputa", disse o grego.

O COB entende que o Brasil só alcançará o número de medalhas que todos desejam se investir na capacitação dos integrantes das equipes multidisciplinares que estão ao redor dos atletas. "Este seminário é mais uma ação da entidade neste sentido, assim como os diversos cursos que estamos realizando e a criação do Laboratório Olímpico, entre outras ações", disse Marcus Vinícius.

Fonte: https://www.cob.org.br